Pontos-chave: vacina contra a dengue para viajantes
- Na Europa e no Reino Unido, a vacina contra a dengue para viajantes (Qdenga) é recomendada sobretudo a pessoas com 4 ou mais anos que já tiveram dengue e vão viajar para um país onde a doença é comum.
- Se nunca teve dengue, a maioria dos órgãos consultivos nacionais – incluindo os do Reino Unido (JCVI/NHS) e da Alemanha (STIKO) – não recomenda a vacina por rotina para viagens.
- É uma vacina viva: não é administrada durante a gravidez, a amamentação nem a pessoas com o sistema imunitário enfraquecido.
- O esquema completo é de duas doses com três meses de intervalo, pelo que os viajantes elegíveis devem planear com bastante antecedência.
- Vacinado ou não, os mosquitos Aedes, que picam durante o dia e transmitem a dengue, também transmitem chikungunya e Zika – evitar as picadas continua a ser a base da proteção.
A dengue é hoje o vírus transmitido por mosquitos que mais rapidamente se propaga no mundo, e o número recorde de casos na América Latina, na Ásia e nas Caraíbas fez da vacina contra a dengue para viajantes uma das perguntas mais frequentes nas consultas do viajante. A resposta curta surpreende muita gente: para a maioria de quem visita os trópicos pela primeira vez, a vacina não é a principal ferramenta. Eis a quem se destina realmente, porquê, e o que todos os outros devem fazer.
Que vacinas contra a dengue existem atualmente?
Foram autorizadas duas vacinas contra a dengue na Europa, mas apenas uma é relevante para viajantes.
Qdenga (TAK-003)
A Qdenga foi autorizada pela Agência Europeia de Medicamentos em 2022 para adultos, adolescentes e crianças a partir dos 4 anos de idade. Contém versões enfraquecidas (vivas atenuadas) dos quatro serotipos do vírus da dengue – DENV-1, 2, 3 e 4. É a vacina utilizada nas consultas do viajante do Reino Unido, da Alemanha e de outros países europeus, e na maioria dos países é paga pelo próprio.
Dengvaxia
A Dengvaxia foi a primeira vacina contra a dengue, mas só é adequada para pessoas com infeção anterior confirmada laboratorialmente que vivem em zonas endémicas, e o fabricante está a retirá-la progressivamente do mercado. Na prática, não tem qualquer papel na medicina do viajante para europeus.
Porque é que a vacina se destina sobretudo a quem já teve dengue
A dengue tem uma particularidade que a maioria das infeções não tem: uma segunda infeção por um serotipo diferente acarreta um risco maior de dengue grave do que a primeira. Por isso, quem já teve dengue é quem mais tem a ganhar com a vacinação.
Para quem nunca foi infetado, os dados dos ensaios são menos completos. A Qdenga protege bem contra alguns serotipos, mas a evidência de proteção contra o DENV-3 e o DENV-4 em pessoas sem infeção anterior é limitada. Devido a esta incerteza – e porque o risco absoluto para quem faz uma visita de curta duração é relativamente baixo – as comissões de peritos adotaram uma posição prudente:
- Reino Unido – o NHS indica que a vacina é recomendada a pessoas que tiveram, ou possam ter tido, dengue no passado e que vão viajar para uma zona onde a dengue é comum.
- Alemanha – a STIKO recomenda a Qdenga a pessoas com 4 ou mais anos com infeção anterior por dengue confirmada laboratorialmente que vão viajar para uma zona endémica; não a recomenda como proteção de rotina em viagem para todos.
- Outros países – as recomendações variam e são atualizadas à medida que surgem novos dados, por isso o que conta é o conselho da sua consulta do viajante para a sua viagem concreta.
Quem deve e quem não deve tomar a vacina contra a dengue?
| A sua situação | Recomendação habitual na Europa/Reino Unido |
|---|---|
| Já teve dengue confirmada e vai viajar para uma zona endémica | Vacinação geralmente recomendada – fale com uma consulta do viajante |
| Possivelmente teve dengue (doença febril nos trópicos, nunca testada) | Pergunte por uma análise ao sangue ou uma avaliação individual |
| Nunca teve dengue, férias curtas | Em geral, não é recomendada por rotina – concentre-se na prevenção das picadas |
| Estadia prolongada, viagens frequentes ou residência numa zona endémica | Avaliação individual do risco – as recomendações podem variar |
| Grávida ou a amamentar | Não é administrada (vacina viva) – a prevenção das picadas é essencial |
| Sistema imunitário enfraquecido | Não é administrada (vacina viva) – procure aconselhamento especializado |
| Crianças com menos de 4 anos | Não autorizada – proteção física e repelente adequado à idade |
Como e quando se vacinar
Se um profissional de saúde do viajante confirmar que é elegível, o momento certo é importante:
- Marque cedo. O ideal é ir a uma consulta do viajante vários meses antes da partida, juntamente com as outras vacinas de que o seu destino necessite.
- Duas doses, com três meses de intervalo. Alguma proteção começa após a primeira dose, mas o esquema só fica completo após a segunda.
- Leve os seus registos. Uma prova de um diagnóstico anterior de dengue (resultado laboratorial, relatório hospitalar) facilita muito a decisão.
- Trate de tudo ao mesmo tempo. A consulta verificará também os comprimidos contra a malária, a febre-amarela e as vacinas de rotina – consulte o nosso guia sobre o que uma consulta do viajante verifica antes de uma viagem aos trópicos.
Porque é que a prevenção das picadas continua a ser importante – mesmo após a vacinação
Nenhuma vacina é 100% eficaz, e a Qdenga atua apenas contra a dengue. Os mesmos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus (mosquito-tigre) transmitem também chikungunya e Zika, e em muitos destinos outras picadas transmitem malária. Os mosquitos Aedes picam sobretudo durante o dia, com picos ao início da manhã e ao fim da tarde – precisamente quando está a passear, na praia ou a comer ao ar livre.
As medidas essenciais recomendadas pela WHO, pelo ECDC e pelo NHS são simples:
- Aplique um repelente cutâneo eficaz na pele exposta e volte a aplicar conforme indicado no rótulo, sobretudo depois de nadar ou de transpirar muito.
- Use mangas compridas e calças largas e de cor clara sempre que possível.
- Escolha alojamento com ar condicionado ou redes nas janelas e durma sob um mosquiteiro se fizer a sesta durante o dia.
- Esvazie a água parada à volta do seu quarto ou moradia – os Aedes reproduzem-se em recipientes minúsculos.
- Se usar protetor solar, aplique-o primeiro e o repelente por cima.
A dengue já não é apenas uma preocupação tropical: o mosquito-tigre instalou-se em todo o sul da Europa, e são notificados surtos locais na maioria dos verões. Saiba mais em Dengue na Europa: a expansão do mosquito-tigre.
Como a incognito® ajuda
Seja ou não elegível para a vacina, o que o mantém protegido durante a viagem é um repelente que goste de usar o dia todo. O Spray Repelente de Insetos incognito® é um repelente de mosquitos sem DEET e utiliza PMD (Citrepel®), uma substância ativa de origem vegetal derivada da citronela de Java e um dos tipos de substâncias ativas indicados pelas autoridades de saúde como eficazes contra mosquitos. É clinicamente comprovado, vegan e recomendado contra mosquitos e carraças. Vai para um destino tropical por mais tempo? O Elite Traveller Bundle reúne num só kit o essencial para uma viagem de longo curso.
Perguntas frequentes
Preciso da vacina contra a dengue para viajar para a Tailândia, Bali ou o Brasil?
Normalmente, não. Nenhum país a exige à entrada e, se nunca teve dengue, os órgãos consultivos do Reino Unido e da Alemanha não a recomendam por rotina para viagens. Prevenir as picadas de mosquito é a principal proteção.
A quem é recomendada a vacina Qdenga?
No Reino Unido e na Alemanha, é recomendada sobretudo a pessoas com 4 ou mais anos que já tiveram dengue e que vão viajar para, ou vivem numa, zona onde a dengue é comum.
Posso tomar a vacina contra a dengue se estiver grávida?
Não. A Qdenga é uma vacina viva e não é administrada durante a gravidez nem a amamentação. As viajantes grávidas devem ter um cuidado redobrado para evitar picadas de mosquito e procurar aconselhamento antes de viajar para zonas com dengue ou Zika.
Com quanta antecedência devo tomar a vacina contra a dengue antes de viajar?
O esquema é de duas doses administradas com três meses de intervalo, pelo que os viajantes elegíveis devem ir a uma consulta do viajante vários meses antes da partida.
A vacina contra a dengue protege contra chikungunya ou Zika?
Não. Atua apenas contra os quatro serotipos da dengue. Os mesmos mosquitos transmitem chikungunya e Zika, e é por isso que o repelente, a roupa e as redes continuam a ser necessários.
Se já tive dengue uma vez, fico imune?
Apenas ao serotipo que contraiu. Uma segunda infeção por um serotipo diferente pode ser mais grave, e é exatamente por isso que a vacinação é aconselhada a este grupo.
Fontes
- WHO – Dengue e dengue grave (ficha informativa)
- ECDC – Dengue
- Agência Europeia de Medicamentos – Qdenga
- NHS – Dengue
- UKHSA – Dengue: the Green Book, capítulo 15a
- TravelHealthPro (NaTHNaC) – Dengue
- ECDC – Medidas de proteção contra mosquitos
- EPA – Substâncias ativas de repelentes de aplicação cutânea
Escrito pela equipa incognito®. Este artigo destina-se apenas a informação geral e não substitui o aconselhamento médico personalizado. As recomendações sobre vacinas mudam e dependem da sua saúde e do seu itinerário – fale com uma consulta do viajante, o seu médico de família ou farmacêutico antes de viajar, e leia sempre o rótulo do produto antes de o utilizar.