Resumo — pontos-chave
- Os gatos e os pequenos animais de estimação apanham as mesmas carraças que as pessoas — sobretudo Ixodes ricinus — e trazem-nas para dentro de casa.
- Remova a carraça com uma pinça de pontas finas ou um gancho para carraças: agarre-a o mais perto possível da pele e puxe para cima, de forma constante. Não torça, não queime e não use óleo nem álcool.
- Nunca aplique num gato um produto contra carraças para cães. As pipetas (spot-on) de permetrina autorizadas para cães são uma causa bem documentada de intoxicações graves, por vezes fatais, em gatos.
- Os coelhos, os porquinhos-da-índia e os furões também não são cães pequenos — a maioria dos produtos antiparasitários não está autorizada para eles.
- Os repelentes para humanos, incluindo os nossos, destinam-se apenas à pele humana — proteja-se a si próprio e deixe que um veterinário decida o que se aplica no animal.
A época das carraças costuma ser discutida a pensar em caminhantes e crianças, mas o animal que dorme no seu sofá passa muito mais horas no habitat das carraças do que o próprio dono. Um gato a patrulhar a erva alta, um coelho num cercado no jardim, um furão no relvado — todos roçam exatamente na vegetação onde as carraças esperam. Eis o que os donos de gatos e pequenos animais precisam de saber: como os verificar, como remover uma carraça em segurança e que produtos nunca devem ser aplicados em que animal.
Os gatos apanham mesmo carraças?
Sim. Os gatos que saem à rua são picados regularmente, e mesmo os gatos com um território pequeno estão expostos. As carraças não saltam nem caem das árvores: ficam na erva e na vegetação baixa com as patas dianteiras estendidas — um comportamento conhecido como «questing» — e agarram-se a tudo o que passa por elas. Um gato que se desloca pela vegetação rasteira à altura do focinho é um alvo ideal.
Há duas coisas que tornam os gatos um problema diferente dos cães. Primeiro, os gatos lavam-se meticulosamente, por isso tudo o que aplicar no pelo acaba na boca. Segundo, a doença de Lyme clínica raramente é diagnosticada em gatos — mas isso é um fraco consolo, porque a carraça que o seu gato traz para dentro de casa pode soltar-se e fixar-se numa pessoa. A exposição a carraças em casa deve-se muitas vezes aos animais de estimação. Os donos de cães têm a sua própria lista de verificação, que abordámos em como proteger o seu cão das carraças de forma natural.
Onde se escondem as carraças num gato ou num pequeno animal
As carraças preferem pele fina, calor e locais que o animal não consegue lavar facilmente. Passe lentamente as pontas dos dedos pelo pelo e procure um pequeno alto firme — do tamanho de uma semente de papoila ao de uma ervilha, consoante o tempo que a carraça já passou a alimentar-se.
- Dentro e atrás das orelhas — o local mais comum nos gatos
- Cabeça, focinho e à volta das pálpebras
- Por baixo da coleira, ao longo da garganta e do pescoço
- Axilas, virilhas e face interna das patas traseiras
- Entre os dedos e à volta da base da cauda
Nos coelhos e nos porquinhos-da-índia, verifique as orelhas, a nuca e as pregas da pele à volta da cauda.
Como remover uma carraça de um gato em segurança
A rapidez conta mais do que uma técnica perfeita. Quanto mais tempo a carraça se alimentar, maior é a probabilidade de transmissão de agentes patogénicos, por isso remova-a assim que a encontrar.
- Peça a uma segunda pessoa que segure e acalme o animal — um gato a debater-se e um instrumento afiado não são uma boa combinação.
- Afaste o pelo para conseguir ver onde a carraça encontra a pele.
- Agarre a carraça com uma pinça de pontas finas, ou deslize um gancho para carraças por baixo do corpo dela, o mais perto da pele que conseguir — segure a carraça, e não o abdómen inchado.
- Puxe para cima de forma constante, com uma pressão uniforme. Não torça, não dê esticões nem aperte o corpo.
- Limpe o local com água ou com um antissético próprio para animais e lave as mãos.
- Vigie o local durante duas a três semanas. Vermelhidão, inchaço, secreção, letargia, claudicação ou perda de apetite são motivos para contactar o veterinário.
O que não fazer é igualmente importante. Não queime a carraça nem a cubra com óleo, vaselina, verniz de unhas ou álcool — estes métodos irritam a carraça e podem fazê-la regurgitar para dentro da ferida. Se as peças bucais se partirem e ficarem na pele, deixe-as; comportam-se como uma farpa e normalmente acabam por ser expelidas. Os mesmos princípios aplicam-se às pessoas, como explicamos em como remover uma carraça em segurança.
Porque é que um produto contra carraças para cães pode matar um gato
Esta é a parte que mais vale a pena memorizar. Muitas pipetas e coleiras contra carraças vendidas para cães contêm permetrina, um piretroide sintético. Os cães metabolizam-na adequadamente; os gatos não, e a permetrina concentrada provoca tremores, salivação excessiva, hipertermia, convulsões e morte em gatos. A Veterinary Medicines Directorate do Reino Unido mantém uma campanha permanente precisamente sobre este tema, e a exposição é muitas vezes indireta — um gato não tratado enrosca-se junto de um cão acabado de tratar.
Daqui decorrem duas regras. Guarde os produtos antiparasitários de cães e de gatos fisicamente separados e leia a espécie indicada no rótulo todas as vezes, sem exceção. E, depois de tratar um cão com uma pipeta de permetrina, mantenha o gato afastado desse cão até o local da aplicação estar completamente seco.
| Quem | Nunca aplicar | Em vez disso |
|---|---|---|
| Gatos | Pipetas e coleiras para cães com permetrina; óleos essenciais concentrados, como o de árvore-do-chá | Apenas produtos autorizados para gatos, por indicação veterinária |
| Cães | Produtos exclusivos para gatos; repelentes para humanos | Produtos veterinários autorizados para o escalão de peso do cão |
| Coelhos, porquinhos-da-índia, furões | A maioria dos antiparasitários para cães e gatos — vários não estão autorizados ou não são seguros nestas espécies | Consulte um veterinário com experiência em animais exóticos antes de aplicar seja o que for |
| Pessoas | Qualquer antiparasitário veterinário | Um repelente destinado à pele humana, aplicado na pele exposta |
Os óleos essenciais merecem um aviso à parte. Os gatos são invulgarmente sensíveis aos fenóis e aos terpenos, e o hábito de se lavarem com a língua garante a ingestão. Uma mistura caseira de óleos aplicada num gato não é uma opção mais suave do que um produto autorizado — é uma dose não medida no animal com menos capacidade para a processar.
Carraças em coelhos, porquinhos-da-índia e furões
Os pequenos animais de estimação também apanham carraças, sobretudo os coelhos com um cercado no jardim e os furões que fazem exercício ao ar livre. A remoção é igual, mas com cuidados redobrados: a pele deles é fina e rasga-se com facilidade, por isso use um gancho para carraças adequado em vez de uma pinça romba e, se não se sentir confiante, deixe que seja um veterinário a fazê-lo. O tratamento é a questão mais importante — vários antiparasitários de uso corrente em cães são contraindicados em coelhos, e muitos não têm qualquer autorização para pequenos mamíferos, o que significa que não existe uma dose segura estabelecida. Nada deve ser aplicado num coelho, porquinho-da-índia ou furão sem indicação veterinária, por muito natural que o rótulo pareça.
Reduza a pressão das carraças à volta de sua casa
- Mantenha a relva curta, corte a erva alta junto às vedações e aos caminhos, e retire a folhagem caída e os montes de ramos — as carraças precisam de humidade e sombra.
- Mantenha uma faixa de relva cortada ou de gravilha entre o jardim e qualquer orla de bosque ou terreno de erva alta.
- Instale as coelheiras, os cercados e os recintos para gatos sobre relva curta ou piso duro, ao sol e não à sombra.
- Faça da verificação de carraças uma rotina: depois de cada saída ao ar livre para os pequenos animais e diariamente na época das carraças para os gatos.
Como a incognito® ajuda
Para ser claro: os nossos produtos são formulados e testados para a pele humana e não se destinam a ser usados em animais. Não os aplique num gato, num coelho nem em qualquer outro animal de estimação. O que podemos fazer é proteger a pessoa que passeia o cão, corta a relva ou se agacha na vegetação atrás de um gato — está no mesmo habitat, na mesma época, e ninguém lhe está a verificar os tornozelos.
O nosso Spray Repelente de Insetos sem DEET utiliza PMD (Citrepel®), uma substância ativa de origem vegetal da mesma classe que o CDC e a EPA indicam a par do DEET, e é recomendado contra mosquitos e carraças. É clinicamente comprovado, vegano e biodegradável — o que também é importante quando o aplica perto de um jardim que partilha com os seus animais. Para períodos mais longos ao ar livre em zonas de carraças, o Conjunto Ativo de Proteção contra Carraças junta-o ao resto da rotina.
Perguntas frequentes
Posso usar no meu gato a pipeta contra carraças do meu cão?
Não. As pipetas para cães contêm frequentemente permetrina, que os gatos não conseguem metabolizar corretamente e que provoca intoxicações graves, por vezes fatais. Use apenas produtos autorizados para gatos.
Como removo uma carraça do meu gato em casa?
Agarre a carraça com uma pinça de pontas finas ou um gancho para carraças, rente à pele, e puxe para cima de forma constante, sem torcer. Depois, limpe o local e vigie-o durante algumas semanas.
Os gatos podem apanhar a doença de Lyme através das carraças?
A doença de Lyme clínica raramente é diagnosticada em gatos, mas as carraças infetadas trazidas para dentro de casa podem fixar-se nas pessoas, por isso a remoção e as verificações em casa continuam a ser importantes.
É seguro aplicar óleos essenciais no meu gato para afastar as carraças?
Não. Os gatos são muito sensíveis a óleos essenciais concentrados, como o de árvore-do-chá, e ingerem tudo o que está no pelo quando se lavam. Em vez disso, consulte o seu veterinário.
Posso usar um repelente de insetos para humanos no meu animal de estimação?
Não. Os repelentes para humanos, incluindo os da incognito®, são formulados para a pele humana. Proteja-se com eles e deixe que um veterinário decida o que é adequado para o animal.
Com que frequência devo verificar se o meu gato tem carraças?
Diariamente durante a época das carraças, se o gato sair à rua, e depois de cada saída ao ar livre no caso dos coelhos, porquinhos-da-índia e furões. Verifique primeiro as orelhas, o pescoço, as axilas e os dedos.
Fontes
- Veterinary Medicines Directorate (GOV.UK) — Permetrina: não ponha o seu gato em risco
- CDC — Prevenção das picadas de carraças
- CDC — Sobre as carraças e as doenças transmitidas por carraças
- ECDC — Ficha informativa sobre Ixodes ricinus
- NHS — Doença de Lyme
- EPA — Ingredientes repelentes de aplicação cutânea
Este artigo contém informação geral e não substitui o aconselhamento veterinário ou médico. Se o seu animal ficar doente após uma picada de carraça ou perante uma suspeita de reação a um produto antiparasitário, contacte imediatamente o seu veterinário. Leia e siga sempre o rótulo do produto.